Desafios da residência médica no Brasil e mutabilidade do conhecimento

Publicação: 30/01/2026
Pauta Oncologia - Dr. Raphael Brandão_Banner

Oncologista  da Rede São Camilo  fala sobre desconstrução de certezas  diante do perfil crítico dos novos doutores

Em entrevista ao Globo sobre o perfil dos novos médicos residentes no Brasil, Raphael Brandão, oncologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, traz uma perspectiva crucial vinda de uma das áreas mais dinâmicas da medicina: a oncologia.

Em um cenário onde a pressa por especialização e o volume massivo de informações definem a nova geração de médicos, Brandão destaca que o maior desafio não é apenas absorver conteúdo, mas lidar com a mutabilidade do conhecimento.

O especialista enfatiza que, na oncologia, o investimento da indústria farmacêutica resulta em um fluxo grande de novas terapias, pesquisas e moléculas. Para ele, o residente precisa aceitar que ninguém estará 100% atualizado o tempo todo.

Brandão reforça que a medicina moderna exige uma mudança de percepção, começando pela desconstrução de certezas, já que uma diretriz absoluta hoje pode mudar amanhã diante de novas evidências. Além disso, o combate à ansiedade, que é a busca por estar a par de tudo, deve ser substituído por um método. Assim, em vez de se perder em “novidades”, o médico deve aplicar um filtro crítico, focando em diretrizes sólidas e consensos de entidades médicas.

Para orientar os jovens profissionais que enfrentam esse “tsunami” de dados, Brandão sugere uma receita baseada na organização por meio de reuniões clínicas, journal clubs (grupos de leitura de estudos) e a análise crítica do desenho de pesquisas.
Em um mundo de ferramentas digitais e inteligência artificial, essas tecnologias servem para organizar referências e revisar com eficiência, mas jamais devem substituir o raciocínio clínico e a capacidade humana de filtrar o que realmente beneficia o paciente. Confira a reportagem completa aqui.