Nicotina afeta cérebro em desenvolvimento e aumenta risco de dependência entre jovens

Publicação: 08/06/2026
Release - Cigarros Eletrônicos_Banner

Dados da OPAS apontam que cerca de 15 milhões de adolescentes no mundo utilizam cigarros eletrônicos; especialistas alertam para os efeitos dos vapes na saúde física e mental dos jovens

As novas gerações têm sido o alvo principal de novos produtos com nicotina, como os cigarros eletrônicos. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cerca de 15 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos utilizam cigarros eletrônicos em todo o mundo. 

No Reino Unido, uma legislação aprovada em 2026 prevê a proibição gradual da venda de cigarros para pessoas nascidas a partir de 2009. A venda de vapes e cigarros eletrônicos também é proibida para menores no país. 

“O tabaco na juventude é ainda mais prejudicial porque o cérebro humano só termina de se desenvolver por volta dos 25 anos e a nicotina interfere na capacidade de aprendizado, memória, controle de impulsos e aumenta a vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e depressão”, explica a psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Giorgia Ocinschi.

Segundo a especialista, como o sistema de recompensa jovem é mais plástico e reativo, a dependência química se instala de forma muito mais rápida do que em adultos, transformando o consumo ocasional em um vício difícil de romper na maturidade.

“Esse cenário é agravado pelos cigarros eletrônicos, que utilizam sais de nicotina para entregar doses maiores da substância e expõem o organismo a metais pesados e substâncias tóxicas que podem causar danos severos em curto espaço de tempo”, comenta a psicóloga.

Como reduzir o uso do tabaco entre jovens?

Um dos principais pontos para reduzir o uso entre jovens é, segundo o neurologista, a desconstrução da imagem social do cigarro e dos vapes, em vez de usar apenas táticas de medo sobre doenças futuras.

“É preciso desassociar a imagem do cigarro e do vape do status social que eles aparentam ter e enfatizar prejuízos imediatos, como a queda no desempenho esportivo, o mau hálito e o amarelamento dos dentes. Esses fatores ressoam mais com a realidade juvenil do que falar de problemas de saúde que parecem distantes”, explica Giorgia.

A especialista ressalta que criar espaços de diálogo aberto, sem julgamentos ou punições que afastem o jovem, permite que ele entenda o vício como um problema de saúde e não como uma falha de caráter. “Programas de apoio com linguagem acessível e próxima da realidade dos adolescentes podem aumentar a adesão ao tratamento e ajudar na interrupção do vício”, conclui a especialista.