Brasileiros reconhecem sinais do câncer colorretal, mas demoram a buscar diagnóstico

Publicação: 30/07/2026
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Estudo mostra que, apesar de a maioria associar sangue nas fezes à doença, quase metade das pessoas que relataram o sintoma não procuraram atendimento médico

Embora a maioria dos brasileiros associe sangue nas fezes a um problema grave de saúde, esse conhecimento nem sempre leva à procura por atendimento médico. Na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, nos últimos dois anos, a maior procura por atendimento relacionado ao câncer colorretal foram homens, representando 56% das incidências.

Segundo mais incidente entre homens e mulheres no Brasil, esse tipo de câncer segue como motivo de preocupação para especialistas devido ao alto número de novos casos Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam cerca de 45 mil novos casos da doença por ano. Outro dado alarmante é a incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos. No estado de São Paulo, a detecção na faixa etária cresceu quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. 

O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, e no reto, região final do sistema digestivo. Além da predisposição genética e do envelhecimento, fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool, estão associados ao aumento do risco da doença.

“A adoção de hábitos saudáveis é uma das principais formas de reduzir o risco de câncer colorretal. Priorizar uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras, legumes e cereais integrais, ao mesmo tempo em que se reduz o consumo de carnes vermelhas e embutidas, faz diferença. Além disso, manter o peso adequado, não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são medidas importantes para a prevenção da doença”, explica o coordenador de oncologia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo,. Raphael Brandão

Exames regulares: detecção e prevenção do câncer colorretal

Alguns exames são capazes de identificar alterações no intestino antes mesmo do surgimento dos sintomas. Entre os mais comuns estão:

– O teste de imunoquímica fecal (FIT) é também chamado de teste imunoquímico de sangue oculto nas fezes (FOBT). Ele reage a uma parte da hemoglobina humana, encontrada nos glóbulos vermelhos do sangue. Quando há resultado positivo para sangue oculto, é solicitada uma colonoscopia. Embora o sangue nas fezes possa ser de câncer ou pólipos, também pode ter outras causas, como úlceras, hemorroidas ou outras condições clínicas.

– O DNA das fezes, que analisa seções anômalas do DNA das células da região. As células cancerosas frequentemente contêm mutações no DNA em determinados genes.

– A colonoscopia permite observar toda a extensão do reto e do cólon com um colonoscópio. Esse instrumento tem uma câmera de vídeo na extremidade e está conectado a um monitor para visualização do interior do cólon. Se houver áreas com aspecto suspeito, o especialista pode recolher amostras de tecido para avaliação — a chamada biópsia.

– A colonoscopia virtual é uma espécie de tomografia computadorizada do cólon e do reto, que produz imagens seccionais detalhadas do corpo humano. Na colonoscopia virtual, um software reproduz, em imagens 2D e 3D, o interior do cólon e do reto. Assim, permite a localização de pólipos e o diagnóstico do câncer colorretal.

– A sigmoidoscopia flexível é semelhante à colonoscopia. No entanto, não examina todo o cólon. Nesse exame, um tubo flexível de 60 cm, com uma pequena câmera de vídeo na extremidade é introduzido até a parte inferior do cólon. Deste modo, pode-se visualizar o interior do reto e parte do cólon e, assim, detectar — e até mesmo remover — qualquer anormalidade.

A recomendação é que pessoas a partir dos 45 anos ou com histórico familiar de câncer colorretal realizem a colonoscopia conforme orientação médica. Quando o exame não apresenta alterações, o intervalo costuma ser de 10 anos. No entanto, a identificação de pólipos, adenomas ou outros achados pode exigir um acompanhamento mais frequente. 

Segundo o oncologista, “a cirurgia costuma ser o principal tratamento para remover o tumor. Dependendo do estágio da doença e das características de cada caso, ela pode ser associada a outras abordagens, como quimioterapia, radioterapia e terapias mais modernas. Por isso, é fundamental procurar avaliação médica ao perceber sintomas como desconforto ou dor abdominal, cólicas frequentes, perda de peso sem causa aparente e presença de sangue nas fezes. Quando o câncer colorretal é diagnosticado precocemente, as chances de cura são bastante elevadas”, conclui Brandão.