Não é só o frio: sintomas que parecem ressecamento podem revelar problemas de pele

Publicação: 26/08/2026
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Especialista alerta que coceira, descamação, fissuras e escoriações persistentes podem indicar doenças como dermatite atópica e psoríase

A chegada do frio pode deixar a pele mais seca, áspera e sensível, além de intensificar a coceira. O problema é que, quando o incômodo persiste ou vem acompanhado de fissuras, escoriações, feridas e inflamações, pode haver mais do que um simples ressecamento. A baixa umidade do ar aumenta a perda de água pela pele, enquanto banhos quentes e demorados, excesso de sabonete e uso de buchas podem retirar a oleosidade natural que ajuda a manter a barreira de proteção. Para quem já tem alguma doença dermatológica, essa combinação pode agravar os sintomas. 

“Uma pele saudável consegue manter uma barreira de proteção eficiente. Quando essa barreira está fragilizada, o frio e o ar seco podem funcionar como um gatilho para piora de sintomas. Por isso, não devemos considerar normal uma coceira intensa ou uma pele que permanece inflamada e rachada durante todo o inverno”, explica Silvana Coghi, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Dermatite atópica, psoríase, rosácea, eczema e micoses podem piorar nessa época do ano. A dermatite atópica, por exemplo, é uma doença inflamatória e recorrente que afeta principalmente crianças. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), atinge 7% da população adulta acima de 12 anos e entre 15% e 25% das crianças e adolescentes.

Nem sempre é fácil perceber a diferença entre uma pele apenas ressecada e um problema que precisa de avaliação. A persistência dos sintomas é um dos sinais. Coceira que chega a atrapalhar o sono, lesões provocadas por coçar, fissuras, dor, sangramento e feridas são situações que não devem ser tratadas simplesmente como consequência do inverno.

“Existe uma diferença entre uma pele que está mais seca por causa do inverno e uma pele que está doente. Se a pessoa passa a ter coceira que interfere no sono, lesões provocadas por coçar ou crises que se repetem, não é recomendável simplesmente esperar o verão chegar. É importante investigar a causa”, afirma a dermatologista.

O frio também costuma mudar outro comportamento: a proteção solar é deixada de lado porque a sensação de calor diminui. A radiação ultravioleta, porém, continua presente nos dias frios e nublados. Por isso, o protetor solar deve permanecer na rotina, especialmente nas áreas expostas, como rosto, pescoço, colo e mãos.

Dicas para manter a pele saudável no inverno

A especialista sugere alguns cuidados importantes com a pele no inverno, que ajudam a mantê-la saudável em qualquer época do ano:

  • Evite água muito quente para não remover a proteção natural da pele.
  • Reduza o tempo embaixo do chuveiro.
  • Use produtos leves e evite esfregar a pele com buchas.
  • Prefira géis de limpeza hidratantes ou syndet (substitutos do sabonete).
  • Aplique cremes mais espessos no corpo diariamente.
  • Passe o hidratante nos primeiros minutos após o banho com a pele ainda úmida.
  • Use um produto específico para o rosto, diferente do creme corporal.
  • Proteja os lábios com balm e redobre a atenção em mãos e pés.
  • O sol de inverno ainda queima e causa danos, use FPS todos os dias.
  • Beba no mínimo dois litros de água, mesmo sem sentir sede.
  • Diminua a frequência para não machucar a pele já sensível.