Infectologista explica como conferir a caderneta, recuperar doses atrasadas e entender quais imunizantes são recomendados em cada fase da vida
A vacinação não termina na infância. Ao longo da vida, novas doses e reforços podem ser necessários para manter a proteção contra doenças infecciosas, mas é comum que adultos deixem de acompanhar o próprio calendário vacinal. A perda da caderneta, a falta de informações sobre as doses recebidas e a ideia de que algumas vacinas são exclusivas das crianças podem contribuir para atrasos que passam despercebidos.
O Ministério da Saúde estabelece recomendações de vacinação para diferentes faixas etárias, da infância à terceira idade, além de orientações específicas para gestantes e grupos com condições particulares de saúde. Por isso, manter a vacinação em dia exige considerar não apenas a idade, mas também o histórico de doses, as condições clínicas e as situações de exposição a determinados agentes infecciosos.
Segundo o infectologista Igor Marinho, dos Hospitais São Camilo de São Paulo, revisar periodicamente a situação vacinal é uma medida importante de prevenção. “A vacinação precisa ser acompanhada ao longo de toda a vida. Muitas pessoas acreditam que, depois da infância, não precisam mais se preocupar com as vacinas, mas existem reforços e imunizantes indicados também para adolescentes, adultos e idosos. A recomendação depende do histórico de cada pessoa e deve ser avaliada individualmente”, explica.
Como saber se alguma vacina está atrasada?
O primeiro passo é conferir a caderneta de vacinação e verificar quais doses foram recebidas. Caso o documento tenha sido perdido, é possível procurar uma unidade de saúde para consultar os registros disponíveis e receber orientações sobre a atualização. A ausência da caderneta não deve impedir a busca por orientação sobre a situação vacinal.
Entre os imunizantes que merecem atenção na vida adulta estão os que protegem contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e sarampo, caxumba e rubéola, conforme o histórico vacinal e as recomendações para cada faixa etária. Também existem vacinas indicadas para grupos específicos, como gestantes, idosos, pessoas com determinadas doenças e profissionais expostos a riscos ocupacionais.
“Não é necessário esperar uma campanha de vacinação para conferir se o esquema está completo. Essa revisão pode ser feita durante consultas de rotina ou diretamente em uma unidade de saúde. O importante é não presumir que a proteção está garantida sem verificar quais doses foram tomadas”, orienta o infectologista.
Perdi uma dose. Preciso começar o esquema novamente?
Em muitos casos, não é necessário reiniciar todo o esquema vacinal quando há atraso. As doses anteriormente recebidas devem ser consideradas, e a continuidade depende do imunizante, dos intervalos entre as aplicações e do histórico individual. Por isso, a recomendação é procurar um profissional de saúde para avaliar quais doses precisam ser administradas e em que momento.
A atualização também não significa que todas as pessoas devam receber as mesmas vacinas. Algumas recomendações mudam conforme a idade, a presença de doenças crônicas, a gravidez, a atividade profissional, o destino de uma viagem e a circulação de determinadas doenças. Além disso, há imunizantes disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e outras recomendações que podem variar conforme a avaliação clínica e as orientações médicas.
Vacinação também é importante na vida adulta
A proteção oferecida pelas vacinas contribui para reduzir o risco de doenças, complicações, hospitalizações e mortes. Manter o calendário atualizado também ajuda a diminuir a circulação de agentes infecciosos e a proteger pessoas que, por condições de saúde específicas, não podem receber determinados imunizantes.
Para Igor Marinho, a principal orientação é incorporar a checagem das vacinas aos cuidados regulares com a saúde. “A caderneta de vacinação deve ser tratada como um documento importante em todas as fases da vida. Manter os registros organizados e buscar orientação quando houver dúvidas ajuda a identificar doses pendentes e a evitar que a pessoa fique desprotegida por falta de informação”, conclui.
A recomendação é conferir a situação vacinal periodicamente e buscar uma unidade de saúde ou um profissional habilitado para avaliar as doses necessárias. O calendário pode ser consultado nos canais oficiais do Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario.
