Com mais de 15 mil casos registrados até abril de 2026, OPAS alerta para o risco de disseminação da doença; Especialista explica a importância da vacinação para prevenir a doença que é uma das mais contagiosas
A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) convocou na última semana os países da América a reforçarem as campanhas de vacinação para prevenir o sarampo. De acordo com o órgão, mais de 15 mil casos da doença foram registrados na região das Américas até abril de 2026. A vacina é a principal forma de prevenir a doença, que é muito contagiosa.
No Brasil, até o momento, dois casos de sarampo foram confirmados, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, ambos relacionados a viagens feitas para o exterior. O país é considerado, desde 2024, livre da circulação endêmica do sarampo. No entanto, o Ministério da Saúde reforça a importância de manter a cobertura vacinal alta.
“O sarampo é bastante contagioso por via aérea, ou seja, uma pessoa infectada pode transmitir para dezenas de indivíduos. Manter a cobertura vacinal acima de 95% é importante para sustentar a imunidade coletiva, pois essa proteção em massa, muitas vezes, é a única salvaguarda daqueles que não podem ser vacinados, como bebês e imunossuprimidos”, explica o infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Igor Maia Marinho.
O sarampo se manifesta no início como uma gripe forte. Entre três a cinco dias, os principais sintomas são febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite, que deixa os olhos vermelhos e sensíveis à luz. “Um sinal clínico único desta fase são as manchas de Koplik — pequenos pontos brancos na parte interna das bochechas que aparecem pouco antes das manchas na pele”, explica.
Com o avanço da doença, surge o exantema, que são as manchas avermelhadas características, aparecendo primeiro no rosto e atrás das orelhas e espalhando para o tronco e membros. Segundo o especialista, o vírus pode evoluir para casos de pneumonia, infecções de ouvido e encefalite.
Por que se vacinar é importante?
A vacinação é uma das invenções da saúde contra doenças infecciosas mais efetivas da história moderna. Ela protege tanto o indivíduo, prevenindo condições graves e suas complicações, quanto a comunidade, através do conceito de imunidade de rebanho.
“A vacina age estimulando o sistema imunológico a criar defesas de forma segura, preparando o corpo para combater o patógeno de verdade quando for necessário. A imunidade de rebanho, alcançada quando uma alta porcentagem da população está imunizada, impede a disseminação de doenças e protege aqueles que não podem ser vacinados”, comenta Marinho.
Além dos benefícios à saúde, o especialista reforça que a vacinação oferece um retorno socioeconômico relevante porque reduz drasticamente os custos com tratamentos médicos e hospitalizações por meio da prevenção.
“Ao prevenir doenças, garante-se maior produtividade no trabalho e continuidade na educação, além de melhorar a qualidade de vida ao evitar deficiências e evitar o ressurgimento de doenças já controladas ou erradicadas, como a varíola e a poliomielite”, conclui o infectologista.
A unidade Pompeia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo dispõe de um centro de imunização para todas as faixas etárias com vacinas para diversas doenças como sarampo, rubéola, meningite, gripe, febre amarela, hepatite, entre outras.
