Brasil é 4º país com a maior incidência de hemofilia

Publicação: 07/01/2026
Release - Hemofilia_Banner blog (1)

Hematologista explica os principais sintomas e sinais de alerta da condição, que é hereditária e genética

A hemofilia é um distúrbio hereditário e genético que afeta a coagulação do sangue, causando sangramentos. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 13,8 mil pessoas no Brasil são hemofílicas e o país é o quarto colocado do mundo com a maior incidência.

A principal consequência da condição é o tempo maior que o sangue leva para coagular, resultando em sangramentos prolongados após ferimentos, cirurgias ou, até mesmo, sangramentos espontâneos.

“Os indivíduos com a condição apresentam uma deficiência ou ausência de uma das proteínas essenciais para coagular o sangue, conhecidas como fatores de coagulação. Existem dois tipos principais da doença. Um deles é a Hemofilia A, que corresponde à maioria dos casos, provocada pela deficiência do Fator VIII. Enquanto a Hemofilia B é ocasionada pela deficiência do Fator IX”, explica Sérgio Fortier, hematologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Essa condição é causada por uma alteração no cromossomo X, o que explica por que é mais comum afetar homens, que herdam o gene alterado da mãe. “As mulheres são, com mais frequência, portadoras do gene e, em geral, não manifestam os sintomas da doença, mas podem transmiti-la aos filhos”, comenta. Além disso, segundo o médico, também existe a hemofilia adquirida, uma doença que é autoimune e mais rara do que a hemofilia congênita.

Sintomas e tratamento

De acordo com o especialista, os sintomas da hemofilia variam por conta da gravidade da deficiência do fator, podendo ser mais leves ou mais sérios. Os sinais mais conhecidos são os sangramentos excessivos após eventos cotidianos, como pequenos cortes ou procedimentos cirúrgicos. Hemorragias nasais e nas gengivas que demoram a cessar também são sinais comuns.

“Um dos sintomas mais sérios é a hemartrose ou sangramento nas articulações. Este tipo de hemorragia interna causa dor, inchaço e calor nas articulações afetadas. Atinge frequentemente joelhos, tornozelos e cotovelos. O sangramento repetitivo na mesma articulação pode afetar a cartilagem e levar ao desenvolvimento da artropatia hemofílica, que atinge a capacidade da articulação”, explica o hematologista.

Segundo o médico, a hemofilia também pode causar  equimoses e hematomas, que podem surgir com facilidade ou sem um trauma significativo. Equimoses são sangramentos menores e mais superficiais, enquanto hematomas são sangramentos maiores e mais profundos. Este último pode ocorrer em diversos locais, como o hematoma muscular, que causa muita dor e inchaço localizado.

“É importante estar atento aos sintomas de sangramentos internos graves. Um desses sinais é a presença de sangue na urina ou nas fezes, sinalizando hemorragia nos tratos urinário ou digestivo. No entanto, o sangramento mais perigoso é o que pode ocorrer no sistema nervoso central, que pode se manifestar com sintomas neurológicos como dor de cabeça súbita e intensa, confusão, sonolência, vômitos repetitivos ou alterações na visão”, ressalta o médico.

A frequência e intensidade dos sintomas dependem do nível de fator de coagulação no sangue, sendo a hemofilia grave marcada por sangramentos espontâneos desde a infância, enquanto a forma leve pode ser notada só após cirurgias na vida adulta.  

“O tratamento para a hemofilia consiste na reposição do fator de coagulação deficiente. Com o tratamento adequado e contínuo, as pessoas com hemofilia podem gerenciar a condição de forma eficaz e ter uma vida ativa e produtiva”, finaliza.