Câncer de intestino: sinais ignorados ainda atrasam diagnóstico no Brasil

Publicação: 26/03/2026
Release - Março Azul Marinho_Banner

Com mais de 45 mil novos casos por ano, doença tem sintomas frequentemente confundidos com problemas benignos; especialistas alertam para a importância de investigar sinais persistentes.

O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, ainda enfrenta um obstáculo importante para o diagnóstico precoce: a negligência com os sinais iniciais da doença. Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam a estimativa de 45.630 novos casos por ano no Brasil, sendo 21.970 entre homens e 23.660 entre mulheres. A doença já ocupa o posto de segunda principal causa de morte no país. Diante desse cenário alarmante, a detecção precoce se torna uma ferramenta essencial para salvar vidas.

Apesar dos números expressivos, os primeiros sintomas do câncer de intestino frequentemente passam despercebidos ou são atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou problemas intestinais comuns.

Entre os sinais de alerta mais frequentes estão: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou prisão de ventre), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, fezes mais finas e compridas, presença de massa abdominal.

Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer, especialistas reforçam que é fundamental investigar casos que persistem por alguns dias, garantindo diagnóstico correto e tratamento adequado. “A detecção precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura. Isso pode ser feito a partir da avaliação de sintomas por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem”, explica o coloproctologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Henrique Perobelli Schleinstein.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda o rastreamento em pessoas sem sintomas por meio do exame de sangue oculto nas fezes. Em caso positivo, exames como colonoscopia permitem identificar lesões ou pólipos.

Entre os principais fatores de risco para a doença estão: idade a partir de 50 anos, sedentarismo, excesso de peso e alimentação inadequada (especialmente com baixo consumo de fibras e alto consumo de carnes processadas e carne vermelha em excesso),  histórico familiar de câncer, tabagismo, consumo de álcool e doenças inflamatórias intestinais.

Além disso, fatores ocupacionais também podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença, como exposição a substâncias como amianto, radiações ionizantes e a realização de trabalho noturno (que desregula o ritmo biológico).

A prevenção está diretamente ligada ao estilo de vida. Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente e adotar uma alimentação baseada em alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, são medidas essenciais. Evitar carnes processadas, limitar o consumo de carne vermelha e não fumar também são recomendações importantes.

“O câncer de intestino é tratável e, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas chances de cura”, reforça o médico. O tratamento pode ser por meio de cirurgia, além de radioterapia e quimioterapia, dependendo do estágio da doença.

Diante desse cenário, a principal recomendação é clara: ao perceber qualquer alteração persistente no funcionamento do intestino ou sinais incomuns, a busca por avaliação médica não deve ser adiada.