Condição comum após os 50 anos pode afetar o sono e a rotina, enquanto procedimentos modernos reduzem o tempo de internação e aceleram a recuperação
O crescimento benigno da próstata, conhecido clinicamente como hiperplasia prostática benigna (HPB), é uma condição frequente entre homens acima dos 50 anos e pode comprometer o bem-estar e a rotina. O aumento da glândula prostática pressiona a uretra e dificulta a passagem da urina, causando sintomas como jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade frequente de urinar, especialmente durante a noite. Apesar de comuns, os sinais ainda costumam ser associados ao envelhecimento natural, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
Segundo o Manual MSD de Diagnóstico e Tratamento, referência médica internacional, a prevalência da hiperplasia prostática benigna aumenta progressivamente com a idade e pode atingir mais de 80% dos homens acima dos 80 anos. Embora não tenha relação com o câncer de próstata, a condição exige acompanhamento médico para evitar complicações como retenção urinária, infecções urinárias recorrentes e comprometimento da função renal.
“Os sintomas urinários causados pelo crescimento benigno da próstata costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, são encarados como parte natural do envelhecimento masculino. No entanto, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir desconfortos, prevenir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, explica o urologista Alexandre Sallum Bull, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
O tratamento da hiperplasia prostática benigna é definido de acordo com a intensidade dos sintomas e os impactos na rotina do paciente. Em quadros leves, mudanças de hábitos e o uso de medicamentos podem ajudar no controle dos sintomas. Já em situações de agravamento do quadro, retenção urinária ou ausência de resposta ao tratamento clínico, a indicação cirúrgica pode ser necessária.
Entre as abordagens mais utilizadas está a ressecção transuretral da próstata (RTU), procedimento realizado por meio da uretra, sem cortes externos, para remover o tecido prostático que obstrui o fluxo urinário. Em pacientes com aumento mais acentuado da próstata, técnicas a laser e cirurgia robótica podem ser recomendadas.
As técnicas minimamente invasivas vêm ganhando espaço por proporcionarem menor sangramento, redução do tempo de internação, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades habituais. Além disso, o tratamento adequado ajuda a prevenir complicações associadas à obstrução urinária prolongada.
“Buscar avaliação com um médico nos primeiros sintomas é fundamental para evitar a progressão do quadro e reduzir o risco de complicações urinárias. Ainda existe resistência por parte de muitos homens em procurar acompanhamento especializado, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado”, conclui Alexandre.
O diagnóstico da hiperplasia prostática benigna é feito por meio da avaliação clínica e de exames como toque retal, dosagem do PSA, ultrassom e estudo do fluxo urinário. O acompanhamento com o urologista é fundamental para diferenciar a condição de outras doenças prostáticas e definir a abordagem terapêutica mais adequada para cada caso.
