Procedimento não invasivo pode ser indicado quando abordagens convencionais não apresentam resposta satisfatória
Uma dor no ombro, no cotovelo ou no calcanhar que persiste por semanas ou meses, limita movimentos e não melhora mesmo após o tratamento inicial pode exigir uma mudança de estratégia. Em alguns quadros musculoesqueléticos crônicos, a terapia por ondas de choque pode ser considerada entre as alternativas antes de intervenções mais invasivas.
A técnica utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas na região afetada. O estímulo mecânico provoca respostas biológicas nos tecidos que podem contribuir para o processo de reparação e para a redução da dor. O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, sem cortes ou necessidade de internação.
Entre as condições que podem ter indicação para esse tipo de terapia estão tendinopatias, fascite plantar, epicondilite e alguns quadros de dor musculoesquelética persistente. A indicação, no entanto, não depende apenas da presença ou da intensidade da dor. É preciso identificar sua origem, avaliar há quanto tempo o problema persiste e considerar os tratamentos realizados anteriormente.
“Nem toda dor crônica tem indicação para terapia por ondas de choque. O primeiro passo é estabelecer o diagnóstico e entender por que aquele quadro está persistindo. A partir daí, avaliamos se o procedimento pode fazer parte da estratégia de tratamento daquele paciente”, explica Carlos Daniel Castro Filho, ortopedista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Quando considerar a terapia por ondas de choque?
A persistência dos sintomas, a limitação para atividades cotidianas ou esportivas e uma resposta insatisfatória às abordagens já adotadas podem levar o especialista a avaliar outras possibilidades terapêuticas.
Em alguns casos, a terapia por ondas de choque é considerada depois de tratamentos conservadores, como medicamentos, fisioterapia e mudanças na atividade física. Isso não significa, porém, que exista uma sequência única de tratamento. A escolha depende do diagnóstico, da região afetada, do tempo de evolução da lesão e das condições clínicas de cada paciente.
O procedimento também não deve ser confundido com uma solução imediata para qualquer dor. O número de sessões e os intervalos entre elas são definidos individualmente, assim como a associação com fisioterapia e outras estratégias de reabilitação.
O que diferencia a onda focal?
Há diferentes tecnologias utilizadas na terapia por ondas de choque. No Ambulatório de Terapia por Ondas de Choque do Hospital São Camilo Pompeia, o tratamento é realizado com onda focal, que permite concentrar a energia em uma região determinada e alcançar tecidos em diferentes profundidades.
Essa característica possibilita uma atuação mais direcionada em determinadas lesões de tendões e estruturas ósseas, de acordo com a indicação médica. Entre os quadros que podem ser avaliados estão tendinopatias crônicas, calcificações e alterações específicas do tecido ósseo.
“A tecnologia focal permite direcionar a energia para a região que precisa ser tratada e trabalhar em diferentes profundidades. Mas a escolha da técnica sempre parte do diagnóstico e das características da lesão, e não apenas do local onde o paciente sente dor”, afirma o especialista.
Dor persistente merece investigação
Embora dores musculares e articulares sejam frequentes, a persistência do sintoma merece atenção, principalmente quando começa a interferir na rotina, no sono, no trabalho ou na prática esportiva.
Nesses casos, insistir apenas no controle da dor sem investigar sua origem pode atrasar o diagnóstico. A avaliação especializada permite diferenciar problemas que podem se beneficiar de tratamentos conservadores daqueles que exigem outras abordagens.
“A dor é um sinal, e não necessariamente o problema em si. Quando ela persiste ou volta repetidamente, é importante entender o que está acontecendo antes de simplesmente buscar outra forma de alívio”, reforça o ortopedista.
Atendimento especializado
O Hospital São Camilo Pompeia conta com um Ambulatório de Terapia por Ondas de Choque voltado ao atendimento de pacientes com condições musculoesqueléticas com indicação para o procedimento, incluindo pessoas com dores crônicas e praticantes de atividade física.
O serviço utiliza a tecnologia de onda focal e está integrado à estrutura da Unidade Pompeia, permitindo acesso a outras especialidades e recursos diagnósticos quando necessários. Atualmente, os atendimentos são realizados na Pompeia, com expansão prevista para a Unidade Santana.
